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Miniatura de casa branca e vermelha sobre mesa simbolizando compra de imóvel
Imóveis & Locação

Como comprar imóvel em 2026: 10 etapas do simulador ao registro no CRI

Roteiro completo da pesquisa à mudança: simulação FGTS, proposta, contrato, financiamento SAC/Price, ITBI, escritura, registro e o cálculo real dos 4-7% de custos totais.

Comprar imóvel no Brasil envolve dez etapas bem definidas, regidas principalmente pelo Código Civil (Lei 10.406/02), pela Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/73) e pelas regras da Caixa para financiamentos pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação). Da simulação inicial até o registro no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) pode levar 60 a 120 dias quando há financiamento. Os custos totais — entre ITBI (2% a 3%), escritura pública, registro no CRI e taxas bancárias — somam de 4% a 7% do valor do imóvel, montante frequentemente subestimado por compradores de primeira viagem. Este pilar mostra cada etapa com o documento certo, o prazo legal e o custo real, usando como base um exemplo de imóvel de R$ 400.000 em capital de médio porte. Inclui também as regras 2026 do Minha Casa Minha Vida (MCMV), com novas faixas e juros a partir de 4% ao ano, e o uso do FGTS na entrada e amortização.

Etapa 1: Pesquisa de mercado e simulação de crédito

Antes de visitar imóveis, defina o orçamento real. Use simuladores da Caixa, Itaú, Bradesco e Santander para ver: valor da parcela, total de juros e exigência de renda. Como regra geral, a parcela não pode passar de 30% da renda bruta familiar (Art. 8º do Regulamento do SFH). Considere também os 4-7% de custos extras.

Etapa 2: Visitas e checklist estrutural

Visite o imóvel em horários diferentes (dia e noite, dia útil e fim de semana). Itens críticos a observar:

  • Sinais de infiltração (mancha em teto, parede descascando).
  • Estrutura: rachaduras horizontais em paredes-mestras (sinal grave).
  • Instalações elétricas (quadro de disjuntores, fios aparentes).
  • Encanamento (pressão da água, vazamento em sifão).
  • Documentação do prédio (atestado de habite-se, AVCB do Corpo de Bombeiros).
  • Vizinhança: ruído, mobilidade, comércio próximo.

Etapa 3: Proposta de compra

A proposta formaliza a intenção de comprar. Em geral é feita pela imobiliária, com prazo de 5-10 dias úteis para o vendedor aceitar. Pode conter sinal (1% a 5%) que é abatido do preço ou perdido se o comprador desistir sem justa causa.

Etapa 4: Contrato de promessa de compra e venda

Quando há financiamento, o documento principal nesta fase é o contrato de promessa (Art. 462 do Código Civil). Estabelece preço, prazo, condições e penalidades. Se registrado no CRI da matrícula do imóvel, gera direito real à aquisição (Art. 1.417 CC) — protege o comprador contra venda dupla.

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Etapa 5: Financiamento (FGTS, SAC, Price, MCMV)

O financiamento bancário é a fase mais longa — 30 a 60 dias entre análise, vistoria do imóvel e aprovação. As principais modalidades em 2026:

LinhaTaxa anualPrazo máx.Faixa de renda
MCMV Faixa 1 (até R$ 2.640)4,0% a.a.30 anosAté R$ 2.640
MCMV Faixa 2 (R$ 2.640 a R$ 4.400)4,75% a.a.30 anosR$ 2.640-4.400
MCMV Faixa 3 (até R$ 8.000)7,16% a.a.30 anosR$ 4.400-8.000
SBPE Tradicional (não MCMV)TR + 10-11% a.a.35 anosSem teto
Taxa Caixa PoupançaPou + 3-4%35 anosVariável

Sistemas de amortização:

  • SAC (Sistema de Amortização Constante): parcelas decrescentes, amortização fixa, juros sobre saldo decrescente. Total de juros menor.
  • Price (Tabela Price): parcelas fixas, amortização crescente, juros decrescentes. Total de juros maior, mas previsibilidade maior.
Uso do FGTSO FGTS pode ser usado para: (1) entrada do imóvel; (2) amortização do saldo devedor a cada 2 anos; (3) pagamento de até 80% das parcelas por 12 meses; (4) liquidação final. Requisitos: 3 anos de FGTS sob CLT (somando todos os contratos), imóvel residencial urbano, valor até R$ 1,5 milhão.

Etapa 6: ITBI — Imposto de Transmissão de Bens Imóveis

É tributo municipal pago ANTES da escritura (Art. 156, II da Constituição). Alíquotas típicas:

CapitalAlíquota padrãoAlíquota MCMV
São Paulo3,0%0,5%
Rio de Janeiro3,0%1,0%
Belo Horizonte3,0%0,5%
Curitiba2,7%0,5%
Porto Alegre3,0%1,0%

Importante: o STF decidiu em 2021 (Tema 1.124, ARE 1.294.969) que o ITBI deve ser calculado sobre o valor REAL da transação, não sobre o 'valor de referência' artificialmente inflado pela prefeitura. Em caso de cobrança a maior, cabe restituição.

Etapa 7: Escritura pública

Lavrada em Cartório de Notas, transfere a propriedade. Tem valor de prova plena (Art. 215 do Código Civil). Em financiamento bancário, a 'escritura' é substituída pelo Contrato de Compra e Venda com Alienação Fiduciária, em instrumento particular com força de escritura pública (Lei 9.514/97, Art. 38).

Etapa 8: Registro no Cartório de Registro de Imóveis (CRI)

É AQUI que a propriedade muda de fato. Conforme Art. 1.245 do CC: 'Só se transfere a propriedade entre vivos com o registro do título translativo no Registro de Imóveis'. Até o registro, você é apenas comprador-promitente.

Custos do registro variam por estado, escalonados pelo valor do imóvel. Exemplo SP, imóvel R$ 400.000: emolumentos cerca de R$ 4.800 (1,2%).

Etapa 9: Averbações e atualizações

Após o registro, é hora de averbar: certidão de quitação do ITBI, certidão de habite-se (caso novo), eventuais reformas estruturais (necessário projeto + ART), Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) — vincular ao novo dono na prefeitura.

Etapa 10: Mudança e atualização cadastral

  • Atualizar endereço no Detran (Art. 162, IV CTB — 30 dias).
  • Atualizar endereço Receita Federal, banco, INSS.
  • Transferir titularidade água/luz/gás.
  • Comunicar plano de saúde, escola, trabalho.

Custos totais reais — exemplo R$ 400.000

ItemValor (R$)
Sinal da proposta (3%)12.000 (abatido)
ITBI (3%)12.000
Escritura pública / contrato AF3.500
Registro CRI (1,2%)4.800
Taxa de avaliação/vistoria do banco3.500
Seguros DFI/MIP (primeira parcela)150
Total de custos extras23.950 (~6%)

Perguntas frequentes

Sim, se: trabalhou 3 anos sob FGTS (somando vínculos), o imóvel é urbano residencial, no nome do comprador, dentro do SFH (até R$ 1,5 milhão) e o comprador não tem imóvel no mesmo município. Pode usar para entrada, amortização ou quitação. Não vale para imóvel comercial ou rural.
Na prática não. A Caixa exige no mínimo 10-20% de entrada para imóveis SBPE e 5-10% para MCMV. O FGTS pode ser usado integralmente como entrada.
Depende do perfil. Caixa tem taxas mais baixas (TR + 9% a 11% ao ano) e aceita FGTS. Bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander) aprovam mais rápido e têm relacionamento. Para servidores e Minha Casa Minha Vida, Caixa é imbatível. Para imóveis acima de R$ 1,5 milhão, bancos privados competem melhor.
É a forma usada em 99% dos financiamentos atuais. O banco fica como 'dono fiduciário' até a quitação, e o comprador é o 'devedor fiduciante'. Em caso de inadimplência, o banco retoma o imóvel em 30 dias, sem ação judicial demorada (Lei 9.514/97).
Não. Sem registro, você é apenas promitente comprador. O dono legal continua sendo o vendedor — e pode até vender o imóvel a terceiro de boa-fé. Por isso o registro é essencial.