Contrato de Empréstimo de Dinheiro

Empréstimo (mútuo) entre particulares ou empresas. Define valor, juros, prazo, parcelas, garantia e consequências do não-pagamento.

Foto de Jeferson Bruno Revisado e editado por Jeferson Bruno · setembro de 2026
GRÁTIS 4 minutos Fácil Código Civil

Sobre este documento

O Contrato de Empréstimo de Dinheiro (mútuo, em linguagem jurídica) é o instrumento essencial para formalizar empréstimos entre particulares ou pessoa física e empresa. Regido pelos Arts. 586 a 592 do Código Civil, transfere propriedade do dinheiro ao mutuário, que deve restituir quantia equivalente.

Limite de juros: entre particulares, os juros não podem passar do dobro da taxa legal (Lei de Usura, Decreto 22.626/1933, art. 1º). Desde 30 de agosto de 2024, a taxa legal é a Selic menos a inflação, calculada mês a mês e divulgada pelo Banco Central (Código Civil, art. 406, na redação da Lei 14.905/2024; Resolução CMN 5.171/2024) — por isso o teto muda com a Selic e a inflação, em vez de ser um número fixo. Cobrar acima é usura (Lei 1.521/1951, art. 4º) e o excesso pode ser anulado na Justiça. Bancos e demais instituições financeiras não estão sujeitos a esse limite (Súmula 596 STF), e a Lei de Usura também não vale para empréstimos entre empresas (Lei 14.905/2024, art. 3º).

Força executiva: Com 2 testemunhas, o contrato vira título executivo extrajudicial (CPC Art. 784, III) — em caso de inadimplência, credor executa diretamente sem precisar 'ganhar' uma ação ordinária primeiro. Acelera muito a cobrança.

Não confundir com nota promissória: Nota promissória é título cambiário (mais simples mas com prescrição em 3 anos). Contrato de mútuo prescreve em 5 anos e permite cláusulas mais completas.

Preencha os dados

Validação CPF/CNPJ inline · CEP auto-completa endereço · Ctrl+Enter baixa Word

0/0 preenchidos 0%

Quando usar

  • Empréstimo entre amigos ou familiares com valor significativo
  • Empréstimo para sócio resolver problema pessoal
  • Adiantamento de capital para pequeno negócio (sócio para empresa)
  • Empréstimo entre empresas do mesmo grupo
  • Quitação de dívida com formalização (renegociação)
  • Aporte temporário em projetos
  • Empréstimo para reforma de imóvel (familiar)
  • Adiantamento de herança disfarçado de empréstimo (cuidado fiscal)

Passo a passo

  1. 1

    Documente a entrega via PIX/transferência

    NUNCA empreste em espécie acima de R$ 5 mil. PIX/transferência cria rastro probatório indiscutível. Comprovante anexo ao contrato

  2. 2

    Calcule juros dentro do limite legal

    Entre particulares: até o dobro da taxa legal (Selic menos a inflação, calculada mês a mês). Acima disso é usura. Bancos e empréstimos entre empresas têm regime diferente

  3. 3

    Defina garantia compatível com valor

    Até R$ 10 mil: confiança pessoal. R$ 10-50 mil: fiador + nota promissória. R$ 50 mil+: garantia real (alienação, hipoteca)

  4. 4

    Sempre com 2 testemunhas (força executiva)

    Art. 784 III CPC: 2 testemunhas tornam o contrato título executivo extrajudicial. Execução muito mais rápida em caso de calote

  5. 5

    Inclua cláusula de antecipação

    Vencimento antecipado de todas as parcelas após 30 dias de atraso, previsto em cláusula do contrato — pressão sobre o mutuário

  6. 6

    Permita quitação antecipada

    Bom para mutuário (incentivo a pagar antes), aceitável para mutuante (recebe principal de volta)

  7. 7

    Tributação: avalie IOF e IRRF

    Empréstimo entre PF: IOF não incide. Entre PJ: IOF (0,38% + 0,0041% ao dia). Juros recebidos por PF: IR conforme tabela (15-22,5%)

  8. 8

    Reconheça firmas

    Reconhecimento de firma no cartório (R$ 20-50 por assinatura) aumenta a força probatória do documento

Erros comuns a evitar

  • × Emprestar em espécie sem rastro: difícil provar que o dinheiro foi entregue
  • × Cobrar juros acima do dobro da taxa legal entre particulares: nulidade do excesso + risco de crime de usura
  • × Não ter 2 testemunhas: perde força executiva extrajudicial
  • × Não exigir comprovante de renda do mutuário: emprestar para insolvente
  • × Não formalizar garantia: cobrar fica muito mais difícil
  • × Misturar com doação por afeto: pode ser anulado por simulação
  • × Não definir multa: padrão de mercado é 2% — você pode pactuar 10%
  • × Esquecer cláusula de antecipação: tem que esperar cada parcela vencer

Base legal

Mútuo — empréstimo de coisa fungível (dinheiro). Transfere propriedade, devolve equivalente
Proíbe juros acima do dobro da taxa legal. Não vale para bancos (Súmula 596 STF) nem para as obrigações do art. 3º da Lei 14.905/2024, como as entre empresas
Mútuo com fim econômico: presumem-se devidos juros; se a taxa não for combinada, vale a taxa legal do art. 406 (Selic menos a inflação)
Contrato com 2 testemunhas é título executivo extrajudicial — execução mais rápida
Crime de usura: cobrar juros acima da taxa permitida por lei
Tira da Lei de Usura as obrigações entre empresas, as de títulos de crédito e as contraídas com bancos e outras entidades do mercado financeiro

Perguntas frequentes

Entre particulares, o dobro da taxa legal (Decreto 22.626/1933, art. 1º). A taxa legal é a Selic menos a inflação, calculada mês a mês e divulgada pelo Banco Central (Código Civil, art. 406) — então o teto muda com a economia; confira a do mês antes de fechar. Cobrança acima é nula no excesso e pode ser crime de usura (Lei 1.521/1951, art. 4º). Bancos não estão sujeitos a esse limite (Súmula 596 STF), e empréstimos entre empresas também ficam fora da Lei de Usura (Lei 14.905/2024, art. 3º).

Sim. Mútuo pode ser GRATUITO (sem juros) — comum entre familiares/amigos. Sempre documentar para evitar confusão com doação.

Sequência: (1) Notificação extrajudicial (cobrança formal); (2) Negativação em SPC/Serasa; (3) Execução judicial direta — se há 2 testemunhas (título executivo); ou ação monitória/conhecimento se não há. Penhora de bens em caso de inadimplência.

Sim. SPC/Serasa aceita protocolo de dívida com contrato + comprovante de transferência. Notifica o devedor que tem 10 dias para regularizar. Após, negativação fica por 5 anos.

Sim. IOF de 0,38% + 0,0041% por dia. Empréstimo de 1 ano entre PJs: ~1,88% total. Entre PF: NÃO incide IOF.

Sim, mas atenção: empréstimos de sócio à empresa (e vice-versa) precisam ser bem documentados. Receita Federal pode questionar se for simulação. Ideal: contrato formal + ata da sociedade autorizando.

Sim. Juros recebidos por PF são tributáveis na fonte (15% para até R$ 35.000/mês). Declare na seção 'Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior' do IRPF.

Sim. Empréstimo de sócio à empresa (Conta 'Empréstimos de Sócios' no passivo). Pode cobrar juros até a Selic + 1% sem questionamento da Receita. Acima, distribuição disfarçada de lucros (tributação maior).

Mútuo: empréstimo de coisa FUNGÍVEL (dinheiro, grãos) — devolve EQUIVALENTE. Comodato: empréstimo de coisa NÃO FUNGÍVEL (carro, casa) — devolve O MESMO bem.

Sim, e recomendado para prazos longos. Use IPCA (IBGE) ou IGP-M (FGV). Empréstimo de R$ 10.000 hoje vale R$ 8.500 em 5 anos sem correção (inflação).

Alternativas a este modelo

Nota Promissória
Para empréstimos simples, sem cláusulas complexas — título cambiário
Empréstimo Bancário
Quando taxa do banco for menor (PJ) ou para valores grandes — análise de crédito profissional
Confissão de Dívida
Quando dívida já existe e está sendo formalizada/renegociada
Empréstimo com Alienação Fiduciária
Para empréstimos grandes com garantia real (veículo ou imóvel)
Doação
Quando não há intenção de devolução — sem juros, sem cobrança
Preview do documento

Documentos que você vai precisar

  • ▸ RG e CPF de mutuante e mutuário
  • ▸ Comprovante de residência
  • ▸ Comprovante de renda do mutuário (recomendado)
  • ▸ Comprovante da transferência do dinheiro (PIX/extrato bancário)
  • ▸ Documento da garantia (CRLV se veículo, matrícula se imóvel)
  • ▸ 2 testemunhas com RG/CPF

Dúvida jurídica?

Modelo não substitui orientação jurídica para casos específicos. Para dúvidas mais complexas, consulte um advogado de confiança.

Limite atingido

Você usou seus 5 documentos desta hora.